quinta-feira, maio 31, 2007

Meus queridos ditadores - parte 1

Aqui começa a série Meus Queridos Ditadores, que eu nao tenho a mínima idéia do que seja. Só quero mostrar isso aqui:

Não é o Mao, mas sim Chen Yan, uma chinesa de 51 anos que é sósia do nosso querido ditador chinês.

quarta-feira, maio 30, 2007

I hope tomorrow is like today

Como quero testar colocar vídeos do youtube aqui, vou colocar esse. Trata-se de um vídeo bem feito, com uma boa edição, um tanto comovente até. Captura bem um sentimento de viagem, de deslocamento, e causa um certa melancolia, ou melhor, uma nostalgia de lugares que você visitou, pessoas que você conheceu. A música é belíssima, e se adapta bem às imagens. Vejam e tirem suas próprias conclusões.


terça-feira, maio 29, 2007

Será o mundo um lugar chato?

A depender das feministas, moralistas, religiosos, censores, políticos, etc, a resposta a pergunta acima só pode ser afirmativa. Ora, vejam só, a maior polêmica foi gerada na internet, principalmente em blogs de "feministas", por conta de uma simples estátuazinha, voltada para o público adulto, diga-se de passagem. Adam Hughes, desenhista de belas mulheres, elaborou essa estatua aí embaixo, muito bonita por sinal, e causou polêmica. Eu me pergunto, será falta do que fazer? Continuar dessa maneira, com certeza o mundo se tornará bem chato.

Outra que causou polêmica pelos mesmos motivos foi uma capa, também da Marvel, de um quadrinhos que será lançado em Agosto em terras estadunidenses. Logo abaixo a bela arte , considerada "apelativa" por seus detratores. Sinceramente, não entendo tanta discórdia.
Mas, no fim das contas, o mundo não é chato. Isso é de fácil constatação devido a um estudo feito na Espanha - "Consumo de cerveja aumenta a tolerância ao esforço físico e reduz o estresse que representa fazer exercícios em condições extremas, diz estudo realizado em Granada, Espanha" Eu sempre soube que a cerveja fazia bem, mas agora ta aí um estudo pra comprovar. (se bem que não precisa de comprovação, basta apreciar, com ou sem moderação, olha o liquido dos deuses pra vocês:


Como os poucos frequentadores deste espaço (há algum?) podem ter percebido, retornei depois de uns dois meses parado, por falta de tempo, universidade, monografia, estágio, jogos de poker, essas coisas que me distraíram. Mas, agora, vou tentar colocar um conto ou poema novo toda sexta, e começo por esse que segue no post de baixo. Além dos contos, pretendo colocar outras coisas do meu interesse: música, cinema, literatura, quadrinhos, ou qualquer coisa que seja. Comentários sobre filmes vistos - não sou crítico, e nem pretendo ser, serão apenas comenários despretensiosos, impressões pessoais mesmo, de livros que leio também, o carai a quatro.

Deixa a esculhambação nos levar. E viva Baco.

El Clown

O acordar, essa hora tão frustrante. Os sonhos desvanecem em meio a uma realidade cinzenta, na meia luz matutina do quarto do palhaço com cheiro de álcool. A frustração opressora assombra El Clown (como gosta de ser chamado) na manhã, a hora mais difícil de seu dia. Levanta com a cabeça pesada, xingando tudo e todos, com a vista ainda anuviada do sono, tateando as paredes, com suas luvas de pano ainda em mãos, a pintura ainda no rosto, em roupas coloridas, que ecoam uma alegria fugaz, e sempre o fazem relembrar dos sorrisos pueris, aqueles belos sorrisos, pelos quais anseia incessantemente, em busca da redenção, que nunca chega.

Os sorrisos sempre o perseguem. A irônica relação d’El Clown com os sorrisos poderia doer em corações mais sensíveis, que viessem a conhecê-lo, mas El Clown mal conhece alguém, quanto mais alguém mais sensível. Algumas prostituas que o tempo já desgastou, tanto fisicamente, quanto moralmente. Um ou outro morador de rua, que passa os dias a bater carteiras alheias, de incautos passantes. Ninguém se dói pelo Clown, pelo seus pesadelos noturnos, e desejos diurnos de sorrisos melosos, pequenos sorrisinhos perfeitos, brancos e inocentes. Os sorrisos que todas as noites El Clown se esforça ao máximo para arrancar. As palhaçadas humilhantes. Sempre chega em casa extasiado, mas não adormece com facilidade. E todas as noites seus sonhos desandam em pesadelos terríveis, em que os sorrisinhos pueris se transformam gargalhadas do mais puro escárnio, da mais baixa humilhação, para, logo após, se transformarem em dentes afiados de lobos carniceiros, que arrancam sua carne com mordidas furiosas.

El Clown não consegue fugir. Os sonhos e os pesadelos sempre o alcançam. E a manhã também, sempre tão frustrante, o difícil despertar, em que o peso da vida o quer manter preso a sua cama. El Clown acorda todos os dias, para seu grande desespero. Acorda sempre ansiando os sorrisos que o perseguiram durante o sono. Nessa ânsia, sempre aceita novos trabalhos para animar festinhas infantis. Apesar de tudo, é um palhaço competente, e as crianças o adoram.

Mal consegue chegar até o banheiro. No espelho, o rosto pintado. Tenta tirar a máscara que tanto odeia, mas que precisa para alcançar os risos necessários ao seu desespero. El Clown, apesar de tentar todas as manhãs, nunca consegue tirar a máscara, que ressoa a uma falsa alegria, com um sorriso pintado há tanto tempo que já nem lembra mais. A máscara é seu próprio rosto, que mente para todos, e quer enganar até a ele próprio. A tinta seca em sua pele já se tornou a própria pele. Não existe mais o homem por trás da máscara, apenas El Clown e seu sorriso falso. O homem quer derramar seu pranto, mas El Clown quer apenas dar sua gloriosa cagada matutina.

Seu apartamento é minúsculo, mal cabe outra pessoa. Mas nunca há outra pessoa, só nas segundas, quando divide sua cama com uma puta velha e mal cheirosa. O sexo é um tanto atabalhoado e desconexo. El Clown não nasceu para o sexo, disso ele tem certeza, mas nunca deixa de fazê-lo nas segundas. A companhia não dura até a manhã seguinte, e El Clown acorda sempre só, e o acordar, tão frustrante, tão pesaroso, açoita o palhaço diariamente, assim como os beijos da noite anterior, beijos de açoite.

O espelho o assombra. Ele sempre pensa em despedaçá-lo, mas sempre, no último segundo, não consegue quebrar os reflexos dele próprio, estará sempre preso atrás da máscara, atrás do sorriso vermelho, tão perfeitamente pintado, simétrico, artístico, evocando uma melancolia tão profunda. As crianças, é claro, não percebem esse desespero pungente naquele sorriso de tintas secas, apenas a alegria do momento, a alegria triunfal de festinhas infantis, nas quais os adultos bebem, as crianças correm, suam, pulam, riem, riem, e riem, e o palhaço se regozija, ao menos uma vez ao dia.

O seu dia começa após o expurgo matinal. O desespero pungente do acordar aos poucos vai dando lugar a uma leve tristeza, que vem do âmago do homem que um dia foi, e vai crescendo em pontadas de dor aguda em seu estômago e pulmões. Para El Clown, o homem que quer vir à tona não tem a força necessária para tanto, não tem a força para vencer as tintas de seu rosto. E o subjuga facilmente, como faz todos os dias.

Tirando as segundas, há apenas seu cacto. Após subjugar o homem que luta por trás da máscara – com força cada vez mais minguada – El Clown aprecia seu cacto, uma planta com a qual divide o seu desespero, e sua decrépita solidão. Aprecia, acima de tudo, os espinhos. Deixa-o sob o sol do meio dia, para se deliciar sob a quentura escaldante. Enquanto isso, o palhaço abre uma cerveja, e aprecia os espinhos.

Após o espetáculo dos espinhos, EL Clown desce para a rua, onde já nem causa mais impacto, por ainda estar de máscara, e com roupas coloridas, em meio a uma rua imunda, de prédios pela metade, com os tijolos nus. No bar da esquina, após o almoço, senta num canto qualquer. E bebe. Observa os outros com desdém, porque a essa hora do dia a frustração dos sonhos se esvai em goladas de cerveja, e sobra apenas a sensação de liberdade propiciada pela mascara. Os outros não são livres, pensa o palhaço.

Depois de gastar quase todo o dinheiro que recebe na festa do anterior, a embriaguez doce o alcança, e ele se prepara para mais uma festa, para mais um clímax. Todos os dias dá seu espetáculo em festas diferentes, para crianças diferentes. Na falta de festas, a rua é seu palco. Mas nesses dias, ao chegar em casa, o desespero já se inicia antes de dormir, pois lhe faltaram os sorrisos pueris, os únicos que o acalentam.

O maior espetáculo d’El Clown começou como um dia qualquer. Ao apreciar seu cacto, notou um espinho que havia crescido mais que os demais. Ao invés de abrir uma cerveja, abriu a garrafa de uísque a muito guardada para uma ocasião especial. Tomou-a quase que de um gole só. Bebeu mais ainda no bar. E na festa desta noite, daria seu maior espetáculo, o mais memorável de todos que já deu.

Começou como todos os outros, com as pequenas mágicas. Errava todas, cambaleante, trôpego. Os risos eram mais fortes, os mais potentes que jamais vira. Antes de meia hora de festa, já estava completamente em êxtase. Colocou um cd da Xuxa. Dançava o Ilariê, com as crianças pulando ao seu redor. Era quase um delírio para El Clown. Ele sabia que aquele espinho que havia crescido demais só podia significar um presságio. Completamente embriagado, o palhaço dançava, e pulava, e cantava, e rodopiava.

Ila-ri-la-ri-ê, ô ô ô, no meio dos baixinhos, sem que ninguém visse, chegava a um orgasmo multicolorido, no clímax de sua vida. E, nesse exato momento, enrijecido de prazer secreto, caiu duro no chão, com o sorriso de sua boca maior que o sorriso de sua máscara.

Ila-ri-la-ri-ê, a turma da Xuxa vai dando seu alô. As crianças continuaram, rindo, pulando, cantando, dançando. Iam se lembrar para o resto de suas vidas como a melhor festa de suas infâncias, numa lembrança enevoada pelo tempo, apenas sorrisos, e um palhaço saltitante, um que tropeçou, caiu, e nunca mais se levantou, o que causou risos histéricos, e câimbras de tantas gargalhadas. A morte do palhaço em meio às crianças foi o maior espetáculo d’El Clown, o mais memorável que já fez.

quarta-feira, março 07, 2007

Inércia!?

Chame-me de louco

Encha meu copo

Acenda meu cigarro

E não me deixe andar só por ruas

Que sempre terminam em lugar algum

De um lugar qualquer

Um lugar comum

Chame-me de louco

Guie-me por avenidas lotadas

De pessoas que não vão, não vêm

Permanecem inertes

No torpor diário dos carburadores

De vozes tresloucadas

Que nada dizem

Chame-me de louco

Neste precipício em que estou

Alheio ao tempo

Ao temporal fustigante

Às suas investidas cruéis

De me fazer curvar

Diante as curvas da cidade

Chame-me de louco

Acenda mais um cigarro

Encha novamente meu copo

Senta ao meu lado

Bata-me com as mãos nuas

Faça-me sangrar

Como o louco que eu sou

Chame-me de louco

E deixe-me com meus vícios

Meus pensamentos

Em praças lotadas de esquecimento

De mentes

Que amaldiçoam o sol, o chão, o concreto, o asfalto

Sufocadas em nuvens cinzentas

Louco?

Estes que passam, nada vêem

Estes que voltam, nada viram

Estes que permanecem, são cegos

Lutar pra quê?

Encha meu copo

Acenda meu cigarro

terça-feira, novembro 28, 2006

Boemia

Acordou, olhou o teto branco

Onde a aranha preta

Se balança

Dança



Na mesa ao lado, garrafa vazia

De vinho tinto

Barato

Rato


Lençóis desalinhados, cabeleira solta

Da mulher ao lado

Prostituta

Puta


Cabeça pesada, cérebro latejante

De álcool que se esvai

De ressaca

Água


E o sol sempre nasce, o sol sempre morre

Todo dia, o dia todo

A lua às vezes vem cheia, às vezes vazia

Ilumina o copo, o corpo sem esboço

Bêbado

Cômico

Sorriso

Felicidade?


O ciclo, ciclovia

O mesmo vinho

A mesma sina


É noite, é hora.

domingo, outubro 08, 2006


Se a literatura é linguagem carregada do mais alto grau de significado, talvez o cinema seja imagem carregada do mais alto grau de significado, e nada mais apropriado para comprovar isso do que Profissão: Repórter, de Antonioni, onde o cinema puro está presente em todas as cenas, encontrando o ápice no surpreendente plano-sequência final.

quarta-feira, outubro 04, 2006


Há filmes que causam uma leve tristeza, há filmes que arrancam uma ou duas lágrimas, mas há uns poucos que simplesmente devasta, destroça, despedaça a alma de quem vê. Cemitério dos Vagalumes faz isso de uma forma tão poética, tão lírica, tão pungente, que posso considerar umas das melhores obras cinematográficas da década de oitenta, cacete, uma das melhores de todos os tempos (exagero? apenas o veja). Uma obra de arte pouco conhecida por aqui, mas que jamais deve ser esquecida por quem já teve o prazer de vê-la.

sexta-feira, setembro 01, 2006

Que morra longe de mim

A morte da morte que não morra aqui perto que não morra ao meu lado que não feda aqui no bairro que se dane lá longe que eu não veja que eu não escute que eu não sinta a mão fria a mão morta da morte da morte que se passa que se mata na mata virgem a virgem morte que não mata mas que se um dia mata e morra que morra longe de mim.
Final feliz que traz felicidade que foge fugaz como uma raposa vira triste o fim no fim de um filme ruim final triste final trágico que se acabe longe daqui que se ria longe de mim que não se chore aqui porque não quero ver sorriso não quero ver lágrima longe do fim no meu fim que inicia a morte da alegria da tristeza no fim de um filme ruim que passe que repasse que trespasse a carne e mata mas que morra longe mim.
Estouro da pistola que esfola que degola a cabeça que rola que sangra o sangue culpado que transforma a morte num espetáculo num receptáculo de dor que assola que devora quem sobrou quem matou sendo inimigo se consola sendo amigo se apavora e chora mas que sangre mas que role do outro lado longe do meu bairro que chore que ria que mate que morra longe de mim.
Se não escapo do riso do sorriso do choro do desconsolo da morte matada morte morrida que se passa todo dia como um filme ruim que não termina que se arrasta eu me arrasto e ando e corro e sangro e vivo a vida que foge todo dia pelo canto do olhar pelo canto noturno que escuto se não escapo porque estou vivo que um dia eu morro mas que morra longe de mim.

terça-feira, agosto 29, 2006

Corrida Espacial

Uma proveta individualista de totens modernos
Berra ao mundo prazeres eletrônicos em pílulas biônicas,
Torres astronômicas despejam ondas subatômicas
No tráfego de informações de bites comprimidos

O satélite geo-estacionário trafega entre dejetos espaciais
Envia sinais invisíveis aos oráculos televisivos
Diminui as muralhas das distâncias milenares
Ao som de uma valsa em sua eterna dança giratória

Toneladas de óleo queimam para elevar o gigante
Das plataformas terrestres de aço, fios e fogo
Para alcançar o infinito azul do horizonte perdido

E entre o concreto, o asfalto, a terra e a lama
Observamos o foguete em busca do zênite
Na esperança de um novo mundo na distância

sexta-feira, agosto 25, 2006

Cervejada

Nasce a lua, começa a noite, uma loura gelada
A primeira cerveja, já mofando, que refresco
Tomo com gosto, quão deliciosa, que cevada
Eu, minha cerveja, a sós num bar sem adereço

Vem a segunda, ainda mais gelada, gostosa
Emborco o copo garganta adentro, estremeço
Mas que loura, me encanta, é tão fogosa
Não me dá trégua, e eu nunca mais a deixo

A terceira vem, ah, o sabor que ela tem
A tomo com ainda mais prazer, e que prazer
Já a quarta vai descendo, vai descendo
Uma passo pra o banheiro

A quinta vem, o banheiro outra vez
Na volta, a garrafa me encara
O gosto aos poucos se esvai
Já a sexta o garçom traz

A loura deliciosa
Já vai e vem, dominando

Ante


Mira o vaso.... pa.. a parede




A sétxima ou a oitxava????

A noooooo ........................... na......

Quantas.......hããã, ah, a conta

A r u a trrrrreme,
O cãominho pa caxa
To m...
blueeeeeeeeeeeeeeeeeeerrrrrrgh

quinta-feira, agosto 24, 2006

Sejamos Felizes

(escrito em parceria com Au-Au)



Um cobrador e um motorista me fazem companhia no caminho de volta pra casa. Enquanto me sento no último banco do ônibus, observo os gigantes de concreto que passam pela janela, como se fosse um filme, e, numa embriaguez sem ter bebido imagino as vidas como a minha, dos pedestres que se aglomeram como formigas em cada cruzamento. Meu primeiro dia de trabalho foi como esperado: nauseante, monótono e desgastante. As pessoas me pareceram todas iguais, sentadas em suas mesas padronizadas em seus computadores brancos, sem máculas. Terei que fazer companhia diariamente ao meu computador IBM até enveredar no mundo das ilusões... o único mundo verdadeiramente real. Aquele que amo, e desprezo e deturpo. O ônibus continua seu sacolejar, agora mais lotado... Não suporto me envenenar com seres da mesma espécie; todos iguais, todos atarefados, todos cheios de si, e sem idéias perigosas na cabeça. Um minuto a mais nesse ônibus, vomitaria... mas chego a minha parada. Que diferença faria? (sinceramente gostaria de expulsar esse demônio em forma de interrogação do meu traseiro). Meu velho cachorrinho Billy me abraça ao seu jeito desengonçado, verdadeiramente feliz por ter chegado em casa. Num afago desesperado, lhe retribuo o carinho. A loucura deve ter batido em minha porta... agora vejo o sacrifício dos meus pais por novos ângulos de... monotonia. Entro, tiro a roupa e me masturbo pensando na modelo gostosa do outdoor, que nunca vou conhecer. Orgasmo...entro num torpor vazio, sentado na privada. O telefone me lembra que ainda estou vivo. Atendo-o e reconheço a voz disfarçada de mamãe. Digo-lhe que está tudo bem, o que mais poderia dizer? O mesmo de sempre; a mesma conversa. Nada de novo no front. Palavras sem sentido, rasas, de vida curta, que morrem assim que são ditas. Sim, para renascerem no outro dia, e morrerem, deixando apenas o aparelho. Desligo-me na escuridão da sala de estar. Sua voz continua a incendiar a minha mente com aquele tom resignado de despedida, que jurei esquecer a mim mesmo. Mas que já no outro dia, e desde sempre, me lembrarei penosamente. Vou até o sofá calvo que estende docemente seu braço espumoso ao gancho do telefone. Desvio meu olhar e, por algum motivo, começo a chorar catarticamente. Tenho que sair dali, senão enlouqueço de vez. Dou uma mijada e me vou agora pra cozinha desse labirinto claustrofóbico. Meu jantar requentado me traz paz por sua exatidão simples. Resolvo voltar pra sala de estar, e ligo a tevê. A mesma bosta sem cheiro de sempre, as mesmas pessoas... no trabalho, no ônibus, no TELEFONE, na tv, me perseguem incansavelmente... caralho! O que posso querer ver? Nada seria o mais sábio, mas a escuridão me consumirá completamente sem os raios catódicos da tv. Começo a apertar os botões do controle remoto, tentando encontrar algo prazeroso. È inútil, nem um programa sequer sobre golfinhos ou cachorros molhados, apenas pessoas fingindo serem quem não são. O silêncio passa bem próximo da minha janela entreaberta, o mundo poderia acabar nesse momento. Morreria feliz com um último gesto gentil da natureza. Que se foda! Inferno ou Céu, qualquer coisa pode ser mais suave do que isso. E também mais propício à liberdade. Ainda penso na modelo. Se fosse rico, ela seria capaz de morrer por mim? Ou, até mesmo, eu em sua boca? Bem, a brincadeira chega ao seu precoce fim; a projeção de um filme ruim em andamento num canal em má sintonia me teleguia pra cama. Fixo o meu olhar para o teto enquanto as horas deslizam sorrateiramente lá fora... Homens se empurram maquinalmente em busca de um orgulho que os ceifará, e ainda sorrirão pra tolos como eu... Não obstante, o sol surgirá novamente banhado pelo sangue dos imolados (esses frescos) da vida industrializada, na pós-modernidade de torres de metais... trazendo sentimentos paumolescentes para esse quarto vazio de sonhos. Mas é hora de dormir, e acordar para os mesmos computadores, ônibus, pessoas, prédios e outdoors, num ciclo que talvez nunca termine. Sejamos felizes, amém.

quarta-feira, agosto 23, 2006

Três certezas e um talvez

Talvez eu me perdesse insensatamente
Em partículas homogêneas de núcleos atômicos
E até colhesse
Cogumelos vermelhos
Gigantes
Pequenos

Talvez eu me achasse incansavelmente
Em fileiras heterogêneas em ônibus enfurnados
De gente
Pessoas iguais
Diferentes

Talvez eu me encontrasse perdidamente
Em uma multidão cinzenta acerebrada
Em braços e pernas
E vozes
Gritos
Sussurros

E a certeza que me vem
Estupidamente
Energicamente
Que a gente simplesmente
mente

terça-feira, agosto 22, 2006

Eu sei do que eu gosto (no seu guarda-roupa)...

...e são as.... opa!! post só pra anunciar o blog do grande Bob, não o Marley, nem o Dylan, nem o Esponja, mas Bob o poeteiro e psicólogo das coisas inanimadas, o link tá aí do lado, Hora Neutra da Madrugada, mas vai aqui também http://www.zerohoraneutra.blogspot.com/

Direto de Portugal

Alguns títulos de filmes traduzidos no Brasil são estranhos, mas tem uns em Portugal que são verdadeiras pérolas cômicas, vejam só alguns exemplos (primero o nome em Portugal, depois o daqui e o original):

A Verdadeira História de Jack, O Estripador - Do Inferno (From Hell)

O Bom, O Mau e o Vilão - Três Homens em Conflito (The Good, The Bad and The Ugly)

Danny The Dog, Força Destruidora - Cão de Briga (Danny The Dog)

Um Mau Nunca Vem Só - Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (Lock, Stock and Two Smoking Barrels)

À Boleia Pela Galaxia - Guia do Mochileiro das Galáxias (The Hitchhiker's Guide to the Galaxy)

A Minha Namorada Tem Amnésia - Como Se Fosse a Primeira Vez (50 First Dates)

A Mulher Que Viveu Duas Vezes - Um Corpo Que Cai (Vertigo)

A Vida Não é Um Sonho - Réquiem Para um Sonho (Requiem For a Dream)

Arac Attack, Tarados de Oito Patas - Malditas Aranhas! - (Eight Legged Freaks)

Noivos Sangrentos - Terra de Ninguém (Badlands)

e meu preferido de todos os tempos:
As Aventuras de Jack Burton nas Garras do Mandarim - Aventureiros do Bairro Proibido (Big Trouble in Little China)

domingo, agosto 20, 2006

Eu queria morar em Beverly Hills (nem a pau)

As vezes eu acordo me sentindo um lixo humano, um motherfucker ducaralho. Maldita ressaca estroboscópica, vai se meter no cu de um jumento no interior da porra do sertão, e não atormente minha maculada existência nesse puto mundo de deus. Nesses dias não há verdadeiramente uma escolha, só o arrastar dos pés pela porcaria do apartamento, um olhar convulsivo no espelho quebrado, falta até coragem de fazer a barba, porra, a vida devia ser mais leve, não esse pesar constante, essa tonelada de peso morto sobre a minha cabeça, maldito uísque falsificado. O mundo anda doente, com câncer de próstata e milhões de hemorróidas no cu, um velho moribundo, ressentido e amargo, xingando deus, o diabo, o homem e o que se foda. Esse monstro doente sempre escarra no meu rosto, sempre me lembrando do próprio gosto acre do maldito. Maldito. Não se respeita os velhos valores, quando Baco ainda andava entre nós, oferecendo orgias espetaculares e vinhos até não poder, não, o respeito foi pelo ralo, se falsifica o uísque, uma blasfêmia. O mundo moderno, ou pós-moderno, ou seja lá o que as malditas convenções humanas chamem, esse mundo aos pedaços oferece álcool sem qualidade para seus filhos sedentos. Justiça seja feita, é verdade, há lugares em que nem isso se tem, então, qual a escapatória? faremos a guerra, caralho, isso sim é que é fuga, miolos espalhados na terra e carne queimada. Bem, agora uma cerveja, amiga infalível, e Beverly Hills que se foda.

sexta-feira, agosto 18, 2006

É Cerva Mamãe

Para os amantes da cerveja, como eu, o top 20 do meu amigo Au-Au: http://au-au.blogspot.com/2006/08/top-20-cervejas.html

quarta-feira, agosto 16, 2006

Acróstico

Violáceos pores de sol em estações entre
Idas e vindas de trens pretos e fumacentos
Onde corpos esquálidos disputam um
Lugar imundo para lutar pela sobreviv
Ência agarrados uns aos outros
Numa dança cadavérica descontrolada e
Cruelmente desesperada rumo ao
Início do terror mais grotesco que
Alguém jamais imaginou realizar.

segunda-feira, agosto 14, 2006

Minha rebelião cósmica de outono

O sol se pôs e nunca mais voltou para anunciar as manhãs doentes de decadência e destruição, para acender poços de petróleo fumegantes, que ardem em fogos azul, amarelo e verde. O sol se escondeu do caos ordenado por foguetes azuis, brancos e vermelhos, por aviões supersônicos a zombar dos frágeis prédios de concreto sob suas asas.
O outono surgiu na escuridão do mundo, levando as últimas folhas verdes para recantos profundos, deixando apenas o cinza e as cinzas de um velho mundo.
No planeta morto, carros esquecem de trafegar, tvs não transmitem as mentiras diárias em doses homeopáticas, elevadores não sabem mais o caminho do céu, escadas desmoronam sobre as cabeças cancerígenas e olhos arregalados, palácios governamentais acendem em grandiosas explosões subatômicas.
Os últimos recursos energéticos dão força aos ônibus espaciais, onde os grandes líderes, os grandes farsantes e os pequenos vendedores ambulantes de produtos de beleza fogem do eterno outono que recaiu sobre o planeta.
O último reduto da humanidade, a expansão espacial, a última chance de uma raça em extinção. No planeta moribundo, apenas a escória, para viver sufocada por gases sulfúricos e letais. Não se ouve o gorjear das aves. No exílio, tudo morto, menos os moribundos soldados em verde e marrom.
No espaço a nova esperança, prontamente decapitada por múltiplas explosões nucleares, que derretem o aço e destroçam a vida dos pretensos conquistadores espaciais.

Adeus grandes líderes fugitivos, queimem no inferno. Escória, bem vinda ao planeta Terra, acomodem-se, não há escapatória.