sexta-feira, agosto 24, 2007

Samba de crioulo doido

Eis que das sombras surgem os maravilhosos sambadores da noite.

domingo, agosto 19, 2007

Top 20

Bob Kirilow, o mestre de todas as putarias imagináveis no planeta, e fora dele também, passou anos estudando, ouvindo as mais variadas músicas, dos mais variados estilos. Com afinco e dedicação, deu início a um projeto grandioso, e bastante pretensioso até, pois pretendia colocar fim a todas as discussões acerca do seu objeto de estudo: top 20. Nós todos sabemos da genialidade profunda do Bob, também conhecido como O Come Cu, e de sua capacidade de colocar um ponto final na coisa toda. Por isso, todos esses anos de reclusão, bebendo em seu apartamento, foram proveitosos o bastante para que ele concluisse o estudo, e ainda por cima comesse tantos cus que sua pica já assumiu uma tonalidade marrom-merda. E então, após vários anos, num dia em que estava se cagando todo, criou a lista definitiva das vinte melhores musicas de todos os tempos da história da humanidade e dos ewoks. Sem mais demoras, vejam a genial conclusão dos estudos:

1. Tira o timbu do pinico - Banda Chapéu de Rola
2. Assado, porém feliz - João de Deus
3. Lasca, lasca - Cara de Tabaco
4. Como cru, como teu cu - Bastiana Desengonçada
5. Feijão com arroz é bom demais - Sapo e banda
6. Galácida - Chico Mosquito
7. O quebrador de gelos - Gogó de Sola
8. Vixi Maria, dei meu cu - Castanhola
9. Cortei meu pentei de urso - Altamiro Carijo
10. O caça cus - Manfredo boyola
11. Ai mamãe, caguei nesquik - Buiú
12. Vesti teu pau - Joana Mendes
13. O Holocausto das girafas - Mussum
14. Trem da gala - Vômito e banda
15. O chupador de pés descalços - Ciriguela
16. Hoje matei tua mãe - Cara de Soda
17. Lá vem o negão - Le Blê
18. O Zumpa é criança - Fi di Rapariga
19. Tomar no cu, mizera - Pedro Castanhola
20. Perdi meu pau pra uma guenza - Deus

quinta-feira, agosto 16, 2007

Alucinações à Beira Mar (Alucinações, vol. I)

Sente aí amigo, e tomemos mais uma cerveja, celebremos o novo século, este improvável monstro, sempre a nos perseguir incansavelmente. Brindemos o sol que daqui a pouco raia no horizonte, e falemos das coisas belas. O alvorecer do dia. A perfeição para nós, bêbados, filósofos do mundo moderno. Sente, a saidera não demora. Lembremos nosso tempo de criança, aqueles moleques magricelas, os joelhos ralados, os pés descalços, o mundo tão vasto, tão imenso, nada nos atingia. Lembremos a juventude, aqueles tempos loucos, tudo parecia tão fácil, e realmente o era. Cacete, ainda é, basta mais uma cerveja para acalmar os ânimos. Vede esse resplendoroso sol, que já vem nascendo. Ao contemplá-lo, lembremos também dos nossos amores loucos, os impossíveis, os perplexos amores. As agonias de glórias defecadas, a pátria nossa, amada, a puta mor. E tudo era tão claro, mas agora, nada há mais claro do que esses copos, cheios da mais pura esperança de um futuro incerto. O meu, o seu, já não como antes, mas sempre nós mesmos. Não fale tanto, não se canse. Antes de relembrarmos tantas imagens, escutemos esse solo de guitarra, que abre o dia com toda a glória que ele merece. Afinal, mais um dia significa mais cerveja, e nós, amigo, nunca paramos enquanto ainda estamos de pé. Sempre é hora de nos alegramos em nosso culto. Esse brinde a Baco. E, pelo menos por uns instantes, esquecemos quem somos, e tudo o que importa é o agora, o próximo gole, a próxima palavra dita, o próximo pensamento que jorra. Amigo, não nos conturbemos com as desgraças ao nosso redor. Tudo é tão belo, as ondas assolam a areia branca, o céu azul claro, o sol já quase nascendo, um novo século não parece assim tão terrível olhando daqui. O que importa como vai ser amanhã? Amigo, há apenas o aqui, nós, essa cerveja gelada, o glorioso sol, e mais nada. E se não houver mais amanhã? Será um belo dia. O mais belo dos dias. A certeza de um amanhã nos destrói a cada dia, a morte vindo aos poucos. Ah, um dia sem o amanhã, que glória seria, o derradeiro dia, a verdadeira humanidade viria à tona. Mas, deixemos de tanta merda. Onde estaremos quando o futuro chegar? Por aí amigo, por aí.

segunda-feira, julho 23, 2007

Cenas da Vida Cotidiana


Num certo dia de inverno, chovia. Em outro dia, num dia particularmente quente, era verão, a cuca fervia. Mas, que importa? Tanto num, como noutro, bebia.


Matou o vizinho, antes de ficar completamente surdo. Matou o cachorro, já não suportava o bruto. Depois de tanto azedume, enterrou a cabeça na areia. Nunca mais o encontraram.


Tirou a camisa. Tirou o calção. Abaixou-se. Cagou no chão. Pira pirá pirou.


Ressaca. Água. Cagada. Fede pra caralho. Banho frio. Freezer. Cerveja gelada. Cerveja gelada. Cerveja gelada. Garrafa vazia. Chão. Ressaca.

Não era tão dado aos esportes. Jogava mal pra burro, sempre o último a ser escolhido para o time, isso quando o escolhiam. Cresceu, virou árbrito. Ah, sim, aceita proprina.


Uma. Duas. Três. Quatro. Cinco mulheres. Todas peladas. Morreu inexplicavelmente com um sorriso no rosto.

Banana pra vender. Banana pra foder. A vendedora de banana assim leva a vida.


Um dia vi o Bob. Vi também o Zumpa. Vi o Marça. Vi o Nando. Todos juntos, cantamos uma canção: o Bob não é criança não.


Não havia absolutamente nada a fazer. Resolveu beber. Se embebedou. Foi ao Zoológico. Sentou com os macacos. Conversou com os micos. Descobriu o sentido da vida. Chegou em casa. Cagou com enorme satisfação.


Comprou o ingresso de sua banda favorita. Chance única na vida. Tão feliz estava no dia, que bebeu, no intuito de ficar ainda mais feliz. Bebeu e bebeu, e ao sair de casa, caiu no chão. Vomitou. Perdeu o show. Teve a pior ressaca da vida.


Uma hora estava em um lugar, outra hora estava em outro. Não ficava quieto um instante. Resolveu correr. Tropeçou e caiu.


Achava que era uma bolinha de borracha. Rolava pelos cantos. Um dia, se cansou. Resolveu ser um inseto. Morreu com uma maçã podre cravada nas costas.


Família sentada na mesa. O pai, a mãe, a filhinha, o filhinho. E então, como um raio, não mais que de repente, o filhinho solta: “Paiê, o que é Suruba ein?”


Era um incendiário irremediável. Na ânsia de ver tudo queimar, tocou fogo no próprio pau. Hoje, pode ser visto em megaproduções pornográficas.


Era tão tarado, mas tão tarado, que tentou comer o próprio cu.


“AH ANH ANH, UH, OH, HMMMMMM, UAAAAAAAHHHHHHHHHH, gozeeei.”

quinta-feira, junho 07, 2007

A última chance de abandonar a terra antes de ser reciclada










Essas chaminés

Tão imponentes

Tão grandes

Tão orgulhosas

São falos gigantes

Mirando o céu

Num eterno foda

quarta-feira, junho 06, 2007

A Kalashnimetamorfose


Quando Gregório Sansão acordou de uma noite de sonhos eróticos/fetichistas, se viu metamorfoseado numa gloriosa arma, mais precisamente, uma puta de uma AK-47. Indignado com o fato, berrando 600 balas por minuto, acabou matando a família toda. Diga-se de passagem que foi, obviamente, um acidente. Um terrível acidente é verdade, mas ainda assim, um acidente. Gregório, naquele momento de tensão, sem saber ainda das suas novas potencialidades, entrou em quase desespero. Mas Gregório sempre foi um rapaz bastante inteligente, um corretor da bolsa sagaz e aplicado, que ganhava horrores com seus golpes sujos. Muda então o nome, sem nenhuma surpresa, para Avtomat Kalashnikova de 1947. Nunca suspeitaram de Gregório, e o agora Kalashnikova embarcou para Rússia, sua terra natal. Lá chegando, ficou bastante feliz, pois encontrou algumas irmãs e irmãos, iguais a ele, na mesmíssima condição. Indignados com a injustiça de não terem seus direitos humanos reconhecidos, Kalashnikova e seus irmãos se auto-contrabandearam para o Afeganistão, como forma de protesto. Porém, ao noticiar o fato, a CNN não deu crédito aos protestantes, o que fez com que os insurgentes se revoltassem ainda mais. Kalashnikova bola um mirabolante plano, e vai parar nas mãos de terroristas e fanáticos em geral. A família Kalashnikova acha-os bastante simpáticos, dignos até de uma música, ou uma historinha de ninar. Kalashnikova, que um dia foi Gregório Sansão, já nem lembrava mais do Brasil, e passava os dias felizes, cuspindo balas, e matando gente, ainda tentanto se fazer ouvir pelo mundo, mas não por isso frustrado, pois tinha a certeza de que uma dia iria ser ouvido. No entanto, como todos sabem, a madeira de Kalashnikov apodreceu, e ele nunca teve suas reinvidicações ouvidas. Mas, apesar de Kalashnikov ter morrido, sua carcaça ainda serve de bengala para um velho Iraniano. Fim!

terça-feira, junho 05, 2007

Return To Cookie Mountain



Ao procurar ouvir bandas que nunca ouvi antes sempre me encontro com algumas decepções, e alguns achados, e de vez em quando, algo mais que um achado, uma descoberta surpreendente. Foi o que aconteceu ao ouvir Tv On The Radio pela primeira vez, com este álbum de 2006, Return to Cookie Mountain. Tentar descrever o som desse cd é tarefa difícil. Um som por vezes estranho, mas nunca deixa de ser arrebatador. Um tipo de mistura que dá certo, um rock alternativo/experimental com leves toques de Jazz, música eletrônica, e outras coisas que não sei bem definir.

Abaixo, um video gravado num show, a música se chama Blues From Down Here, talvez a melhor do cd. O áudio tá uma porcaria, mas foi o que eu achei no youtube.


domingo, junho 03, 2007

Os cinco melhores

Top 5 da música, ou, albuns que me fazem delirar:



















E, por fim, o hor concours:


quinta-feira, maio 31, 2007

Meus queridos ditadores - parte 1

Aqui começa a série Meus Queridos Ditadores, que eu nao tenho a mínima idéia do que seja. Só quero mostrar isso aqui:

Não é o Mao, mas sim Chen Yan, uma chinesa de 51 anos que é sósia do nosso querido ditador chinês.

quarta-feira, maio 30, 2007

I hope tomorrow is like today

Como quero testar colocar vídeos do youtube aqui, vou colocar esse. Trata-se de um vídeo bem feito, com uma boa edição, um tanto comovente até. Captura bem um sentimento de viagem, de deslocamento, e causa um certa melancolia, ou melhor, uma nostalgia de lugares que você visitou, pessoas que você conheceu. A música é belíssima, e se adapta bem às imagens. Vejam e tirem suas próprias conclusões.


terça-feira, maio 29, 2007

Será o mundo um lugar chato?

A depender das feministas, moralistas, religiosos, censores, políticos, etc, a resposta a pergunta acima só pode ser afirmativa. Ora, vejam só, a maior polêmica foi gerada na internet, principalmente em blogs de "feministas", por conta de uma simples estátuazinha, voltada para o público adulto, diga-se de passagem. Adam Hughes, desenhista de belas mulheres, elaborou essa estatua aí embaixo, muito bonita por sinal, e causou polêmica. Eu me pergunto, será falta do que fazer? Continuar dessa maneira, com certeza o mundo se tornará bem chato.

Outra que causou polêmica pelos mesmos motivos foi uma capa, também da Marvel, de um quadrinhos que será lançado em Agosto em terras estadunidenses. Logo abaixo a bela arte , considerada "apelativa" por seus detratores. Sinceramente, não entendo tanta discórdia.
Mas, no fim das contas, o mundo não é chato. Isso é de fácil constatação devido a um estudo feito na Espanha - "Consumo de cerveja aumenta a tolerância ao esforço físico e reduz o estresse que representa fazer exercícios em condições extremas, diz estudo realizado em Granada, Espanha" Eu sempre soube que a cerveja fazia bem, mas agora ta aí um estudo pra comprovar. (se bem que não precisa de comprovação, basta apreciar, com ou sem moderação, olha o liquido dos deuses pra vocês:


Como os poucos frequentadores deste espaço (há algum?) podem ter percebido, retornei depois de uns dois meses parado, por falta de tempo, universidade, monografia, estágio, jogos de poker, essas coisas que me distraíram. Mas, agora, vou tentar colocar um conto ou poema novo toda sexta, e começo por esse que segue no post de baixo. Além dos contos, pretendo colocar outras coisas do meu interesse: música, cinema, literatura, quadrinhos, ou qualquer coisa que seja. Comentários sobre filmes vistos - não sou crítico, e nem pretendo ser, serão apenas comenários despretensiosos, impressões pessoais mesmo, de livros que leio também, o carai a quatro.

Deixa a esculhambação nos levar. E viva Baco.

El Clown

O acordar, essa hora tão frustrante. Os sonhos desvanecem em meio a uma realidade cinzenta, na meia luz matutina do quarto do palhaço com cheiro de álcool. A frustração opressora assombra El Clown (como gosta de ser chamado) na manhã, a hora mais difícil de seu dia. Levanta com a cabeça pesada, xingando tudo e todos, com a vista ainda anuviada do sono, tateando as paredes, com suas luvas de pano ainda em mãos, a pintura ainda no rosto, em roupas coloridas, que ecoam uma alegria fugaz, e sempre o fazem relembrar dos sorrisos pueris, aqueles belos sorrisos, pelos quais anseia incessantemente, em busca da redenção, que nunca chega.

Os sorrisos sempre o perseguem. A irônica relação d’El Clown com os sorrisos poderia doer em corações mais sensíveis, que viessem a conhecê-lo, mas El Clown mal conhece alguém, quanto mais alguém mais sensível. Algumas prostituas que o tempo já desgastou, tanto fisicamente, quanto moralmente. Um ou outro morador de rua, que passa os dias a bater carteiras alheias, de incautos passantes. Ninguém se dói pelo Clown, pelo seus pesadelos noturnos, e desejos diurnos de sorrisos melosos, pequenos sorrisinhos perfeitos, brancos e inocentes. Os sorrisos que todas as noites El Clown se esforça ao máximo para arrancar. As palhaçadas humilhantes. Sempre chega em casa extasiado, mas não adormece com facilidade. E todas as noites seus sonhos desandam em pesadelos terríveis, em que os sorrisinhos pueris se transformam gargalhadas do mais puro escárnio, da mais baixa humilhação, para, logo após, se transformarem em dentes afiados de lobos carniceiros, que arrancam sua carne com mordidas furiosas.

El Clown não consegue fugir. Os sonhos e os pesadelos sempre o alcançam. E a manhã também, sempre tão frustrante, o difícil despertar, em que o peso da vida o quer manter preso a sua cama. El Clown acorda todos os dias, para seu grande desespero. Acorda sempre ansiando os sorrisos que o perseguiram durante o sono. Nessa ânsia, sempre aceita novos trabalhos para animar festinhas infantis. Apesar de tudo, é um palhaço competente, e as crianças o adoram.

Mal consegue chegar até o banheiro. No espelho, o rosto pintado. Tenta tirar a máscara que tanto odeia, mas que precisa para alcançar os risos necessários ao seu desespero. El Clown, apesar de tentar todas as manhãs, nunca consegue tirar a máscara, que ressoa a uma falsa alegria, com um sorriso pintado há tanto tempo que já nem lembra mais. A máscara é seu próprio rosto, que mente para todos, e quer enganar até a ele próprio. A tinta seca em sua pele já se tornou a própria pele. Não existe mais o homem por trás da máscara, apenas El Clown e seu sorriso falso. O homem quer derramar seu pranto, mas El Clown quer apenas dar sua gloriosa cagada matutina.

Seu apartamento é minúsculo, mal cabe outra pessoa. Mas nunca há outra pessoa, só nas segundas, quando divide sua cama com uma puta velha e mal cheirosa. O sexo é um tanto atabalhoado e desconexo. El Clown não nasceu para o sexo, disso ele tem certeza, mas nunca deixa de fazê-lo nas segundas. A companhia não dura até a manhã seguinte, e El Clown acorda sempre só, e o acordar, tão frustrante, tão pesaroso, açoita o palhaço diariamente, assim como os beijos da noite anterior, beijos de açoite.

O espelho o assombra. Ele sempre pensa em despedaçá-lo, mas sempre, no último segundo, não consegue quebrar os reflexos dele próprio, estará sempre preso atrás da máscara, atrás do sorriso vermelho, tão perfeitamente pintado, simétrico, artístico, evocando uma melancolia tão profunda. As crianças, é claro, não percebem esse desespero pungente naquele sorriso de tintas secas, apenas a alegria do momento, a alegria triunfal de festinhas infantis, nas quais os adultos bebem, as crianças correm, suam, pulam, riem, riem, e riem, e o palhaço se regozija, ao menos uma vez ao dia.

O seu dia começa após o expurgo matinal. O desespero pungente do acordar aos poucos vai dando lugar a uma leve tristeza, que vem do âmago do homem que um dia foi, e vai crescendo em pontadas de dor aguda em seu estômago e pulmões. Para El Clown, o homem que quer vir à tona não tem a força necessária para tanto, não tem a força para vencer as tintas de seu rosto. E o subjuga facilmente, como faz todos os dias.

Tirando as segundas, há apenas seu cacto. Após subjugar o homem que luta por trás da máscara – com força cada vez mais minguada – El Clown aprecia seu cacto, uma planta com a qual divide o seu desespero, e sua decrépita solidão. Aprecia, acima de tudo, os espinhos. Deixa-o sob o sol do meio dia, para se deliciar sob a quentura escaldante. Enquanto isso, o palhaço abre uma cerveja, e aprecia os espinhos.

Após o espetáculo dos espinhos, EL Clown desce para a rua, onde já nem causa mais impacto, por ainda estar de máscara, e com roupas coloridas, em meio a uma rua imunda, de prédios pela metade, com os tijolos nus. No bar da esquina, após o almoço, senta num canto qualquer. E bebe. Observa os outros com desdém, porque a essa hora do dia a frustração dos sonhos se esvai em goladas de cerveja, e sobra apenas a sensação de liberdade propiciada pela mascara. Os outros não são livres, pensa o palhaço.

Depois de gastar quase todo o dinheiro que recebe na festa do anterior, a embriaguez doce o alcança, e ele se prepara para mais uma festa, para mais um clímax. Todos os dias dá seu espetáculo em festas diferentes, para crianças diferentes. Na falta de festas, a rua é seu palco. Mas nesses dias, ao chegar em casa, o desespero já se inicia antes de dormir, pois lhe faltaram os sorrisos pueris, os únicos que o acalentam.

O maior espetáculo d’El Clown começou como um dia qualquer. Ao apreciar seu cacto, notou um espinho que havia crescido mais que os demais. Ao invés de abrir uma cerveja, abriu a garrafa de uísque a muito guardada para uma ocasião especial. Tomou-a quase que de um gole só. Bebeu mais ainda no bar. E na festa desta noite, daria seu maior espetáculo, o mais memorável de todos que já deu.

Começou como todos os outros, com as pequenas mágicas. Errava todas, cambaleante, trôpego. Os risos eram mais fortes, os mais potentes que jamais vira. Antes de meia hora de festa, já estava completamente em êxtase. Colocou um cd da Xuxa. Dançava o Ilariê, com as crianças pulando ao seu redor. Era quase um delírio para El Clown. Ele sabia que aquele espinho que havia crescido demais só podia significar um presságio. Completamente embriagado, o palhaço dançava, e pulava, e cantava, e rodopiava.

Ila-ri-la-ri-ê, ô ô ô, no meio dos baixinhos, sem que ninguém visse, chegava a um orgasmo multicolorido, no clímax de sua vida. E, nesse exato momento, enrijecido de prazer secreto, caiu duro no chão, com o sorriso de sua boca maior que o sorriso de sua máscara.

Ila-ri-la-ri-ê, a turma da Xuxa vai dando seu alô. As crianças continuaram, rindo, pulando, cantando, dançando. Iam se lembrar para o resto de suas vidas como a melhor festa de suas infâncias, numa lembrança enevoada pelo tempo, apenas sorrisos, e um palhaço saltitante, um que tropeçou, caiu, e nunca mais se levantou, o que causou risos histéricos, e câimbras de tantas gargalhadas. A morte do palhaço em meio às crianças foi o maior espetáculo d’El Clown, o mais memorável que já fez.

quarta-feira, março 07, 2007

Inércia!?

Chame-me de louco

Encha meu copo

Acenda meu cigarro

E não me deixe andar só por ruas

Que sempre terminam em lugar algum

De um lugar qualquer

Um lugar comum

Chame-me de louco

Guie-me por avenidas lotadas

De pessoas que não vão, não vêm

Permanecem inertes

No torpor diário dos carburadores

De vozes tresloucadas

Que nada dizem

Chame-me de louco

Neste precipício em que estou

Alheio ao tempo

Ao temporal fustigante

Às suas investidas cruéis

De me fazer curvar

Diante as curvas da cidade

Chame-me de louco

Acenda mais um cigarro

Encha novamente meu copo

Senta ao meu lado

Bata-me com as mãos nuas

Faça-me sangrar

Como o louco que eu sou

Chame-me de louco

E deixe-me com meus vícios

Meus pensamentos

Em praças lotadas de esquecimento

De mentes

Que amaldiçoam o sol, o chão, o concreto, o asfalto

Sufocadas em nuvens cinzentas

Louco?

Estes que passam, nada vêem

Estes que voltam, nada viram

Estes que permanecem, são cegos

Lutar pra quê?

Encha meu copo

Acenda meu cigarro

terça-feira, novembro 28, 2006

Boemia

Acordou, olhou o teto branco

Onde a aranha preta

Se balança

Dança



Na mesa ao lado, garrafa vazia

De vinho tinto

Barato

Rato


Lençóis desalinhados, cabeleira solta

Da mulher ao lado

Prostituta

Puta


Cabeça pesada, cérebro latejante

De álcool que se esvai

De ressaca

Água


E o sol sempre nasce, o sol sempre morre

Todo dia, o dia todo

A lua às vezes vem cheia, às vezes vazia

Ilumina o copo, o corpo sem esboço

Bêbado

Cômico

Sorriso

Felicidade?


O ciclo, ciclovia

O mesmo vinho

A mesma sina


É noite, é hora.

domingo, outubro 08, 2006


Se a literatura é linguagem carregada do mais alto grau de significado, talvez o cinema seja imagem carregada do mais alto grau de significado, e nada mais apropriado para comprovar isso do que Profissão: Repórter, de Antonioni, onde o cinema puro está presente em todas as cenas, encontrando o ápice no surpreendente plano-sequência final.

quarta-feira, outubro 04, 2006


Há filmes que causam uma leve tristeza, há filmes que arrancam uma ou duas lágrimas, mas há uns poucos que simplesmente devasta, destroça, despedaça a alma de quem vê. Cemitério dos Vagalumes faz isso de uma forma tão poética, tão lírica, tão pungente, que posso considerar umas das melhores obras cinematográficas da década de oitenta, cacete, uma das melhores de todos os tempos (exagero? apenas o veja). Uma obra de arte pouco conhecida por aqui, mas que jamais deve ser esquecida por quem já teve o prazer de vê-la.

sexta-feira, setembro 01, 2006

Que morra longe de mim

A morte da morte que não morra aqui perto que não morra ao meu lado que não feda aqui no bairro que se dane lá longe que eu não veja que eu não escute que eu não sinta a mão fria a mão morta da morte da morte que se passa que se mata na mata virgem a virgem morte que não mata mas que se um dia mata e morra que morra longe de mim.
Final feliz que traz felicidade que foge fugaz como uma raposa vira triste o fim no fim de um filme ruim final triste final trágico que se acabe longe daqui que se ria longe de mim que não se chore aqui porque não quero ver sorriso não quero ver lágrima longe do fim no meu fim que inicia a morte da alegria da tristeza no fim de um filme ruim que passe que repasse que trespasse a carne e mata mas que morra longe mim.
Estouro da pistola que esfola que degola a cabeça que rola que sangra o sangue culpado que transforma a morte num espetáculo num receptáculo de dor que assola que devora quem sobrou quem matou sendo inimigo se consola sendo amigo se apavora e chora mas que sangre mas que role do outro lado longe do meu bairro que chore que ria que mate que morra longe de mim.
Se não escapo do riso do sorriso do choro do desconsolo da morte matada morte morrida que se passa todo dia como um filme ruim que não termina que se arrasta eu me arrasto e ando e corro e sangro e vivo a vida que foge todo dia pelo canto do olhar pelo canto noturno que escuto se não escapo porque estou vivo que um dia eu morro mas que morra longe de mim.

terça-feira, agosto 29, 2006

Corrida Espacial

Uma proveta individualista de totens modernos
Berra ao mundo prazeres eletrônicos em pílulas biônicas,
Torres astronômicas despejam ondas subatômicas
No tráfego de informações de bites comprimidos

O satélite geo-estacionário trafega entre dejetos espaciais
Envia sinais invisíveis aos oráculos televisivos
Diminui as muralhas das distâncias milenares
Ao som de uma valsa em sua eterna dança giratória

Toneladas de óleo queimam para elevar o gigante
Das plataformas terrestres de aço, fios e fogo
Para alcançar o infinito azul do horizonte perdido

E entre o concreto, o asfalto, a terra e a lama
Observamos o foguete em busca do zênite
Na esperança de um novo mundo na distância

sexta-feira, agosto 25, 2006

Cervejada

Nasce a lua, começa a noite, uma loura gelada
A primeira cerveja, já mofando, que refresco
Tomo com gosto, quão deliciosa, que cevada
Eu, minha cerveja, a sós num bar sem adereço

Vem a segunda, ainda mais gelada, gostosa
Emborco o copo garganta adentro, estremeço
Mas que loura, me encanta, é tão fogosa
Não me dá trégua, e eu nunca mais a deixo

A terceira vem, ah, o sabor que ela tem
A tomo com ainda mais prazer, e que prazer
Já a quarta vai descendo, vai descendo
Uma passo pra o banheiro

A quinta vem, o banheiro outra vez
Na volta, a garrafa me encara
O gosto aos poucos se esvai
Já a sexta o garçom traz

A loura deliciosa
Já vai e vem, dominando
Pé
Ante
Pé

Mira o vaso.... pa.. a parede




A sétxima ou a oitxava????

A noooooo ........................... na......

Quantas.......hããã, ah, a conta

A r u a trrrrreme,
O cãominho pa caxa
To m...
blueeeeeeeeeeeeeeeeeeerrrrrrgh